segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Discurso ambientalista dá lucro a empresas. Veja infográfico


Sustentabilidade deixa de ser apenas jogada de marketing e começa a dar dinheiro. No Brasil, grandes empresas investem milhões em produção verde com a certeza de que o retorno virá, e será rápido

Mayara Teixeira , iG São Paulo  - Atualizada às 


Divulgação
Executivos do SABB/Coca-Cola na cerimônia de certificação da fábrica Fazenda Rio Grande
Senhores de ternos alinhados, passos sempre rápidos e olhos que pulam dos celulares para os relógios. São típicos homens de negócio, executivos de multinacionais, mas o discurso pode enganar. “Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”, desde quando eles citam Gandhi?
É cada vez mais comum ouvir executivos falarem de produção verde. Desde a última década, o ambientalismo tem sido parte do discurso de muitas empresas. Mas a sustentabilidade deixou de ser apenas uma jogada de marketing, porque ser verde começou a dar dinheiro. No Brasil, grandes empresas investem milhões em processos ambientalmente corretos com a certeza de que o retorno virá, e será rápido.
O Sistema de Alimentos e Bebidas do Brasil (SABB), joint venture formada pela Coca-Cola e fabricantes regionais de bebidas sem gás, decidiu apostar no “rentável e sustentável”. A fábrica Leão, localizada na cidade de Fazenda Rio Grande (PR) e inaugurada nesse ano, é a primeira do grupo e do país a receber a certificação do U.S. Green Building Council, organização americana que incentiva modelos de construção sustentável.
“É possível ser lucrativo e sustentável”, diz o diretor geral do grupo SABB, Axel de Meeûs, que em português enrolado se orgulha de sua “fábrica verge”. Nela, são processados produtos secos da linha Matte Leão. Segundo Clelso Valeski, diretor de projetos da unidade, a construção custou R$ 30 milhões, cerca de 5 a 8% a mais do que uma fábrica comum, mas em cinco anos o investimento terá sido pago pela economia nos custos. “Haverá economia de 28% de energia e de 36% de água, que geram redução de 8 a 10% no nosso custo de produção”, diz Valeski. 
Esse é o impacto em uma fábrica de produtos secos, em que a utilização de água e energia é bem menor do que em outras unidades do grupo. Em uma fábrica de refrigerante, por exemplo, mais água é utilizada no produto final e mais energia é necessária para produzir as garrafas pets, por isso, o impacto na redução de custos pode ser ainda maior. “O movimento sustentável é um negócio”, confirma Sérgio Ferreira, diretor de sustentabilidade da SABB.
“Às vezes, só a preocupação ambiental não justifica o investimento necessário para construir uma fábrica dessas. Mas, quando os custos caem, isso é interessante para a empresa”, diz Ilton Azevedo, diretor de Meio Ambiente da Coca-Cola Brasil. A Coca-Cola afirma que pretende construir novas fábricas dentro dos parâmetros LEED e adaptar todas as já existentes para outro tipo de certificação (EBO&M – em português, operação e manutenção de construções já existentes).
“Pelo menos, até a Copa do Mundo, todo o fornecimento de produtos para as cidades-sede será feito por fábricas certificadas”, diz Mauro Ribeiro, diretor de relações institucionais da SABB. Até 2014, o grupo espera adaptar mais 14 fábricas e construir uma nova unidade produtora de sucos com a certificação LEED. A unidade provavelmente será localizada no Nordeste, custará R$ 500 milhões e ficará em uma área de 200 mil m2, dos quais apenas 50 mil m2 serão construídos.
Divulgação
Fábrica Eco Ideas da Panasonic, em Extrema (MG)
Segundo a professora do Núcleo de Estudos e Negócios Sustentáveis, Ariane Reis, “quando a empresa estende os critérios ambientais e sociais para seus fornecedores, aí sim está preocupada com sustentabilidade”. “A Coca-Cola é conhecida como a certificadora do açúcar no Brasil, por manter critérios básicos nas usinas”, diz. “A diferença é que o mercado de fornecimento deles já está formado, não precisam pagar mais para obter produtos produzidos de forma sustentável”.
No rol das multinacionais investindo em produção verde no Brasil também está a Panasonic, queinaugurou sua primeira fábrica Eco Ideas no país . Localizada em Extrema, no sul de Minas Gerais, a unidade corresponde a um investimento de R$ 200 milhões. Nela, serão produzidos principalmente refrigeradores, micro-ondas e máquinas de lavar. O consumo de água será 30% menor e a economia de energia terá redução de 20%
A fábrica irá reutilizar água da chuva, reciclar materiais descartados e reduzir a emissão de CO2. “Pretendemos ser a empresa número um em tecnologia verde da indústria de eletrônicos até 2018”, diz Sergei Epof, gerente de produtos de linha branca no Brasil.,
Além da economia durante a produção, claro, a sustentabilidade conquista clientes. Segundo Renata Assis, gerente de marca da Panasonic, 49% dos consumidores consideram importante haver preocupação ecológica nas empresas e 72% acreditam que o meio-ambiente é mais importante do que a economia.
As fábricas verdes começam a se espalhar pelas campanhas publicitárias, em que as linhas de produção mais eficientes e de menor custo são vendidas também como prática ambientalista. “Ser o bom moço é o que sobra para o marketing vender de imagem”, diz Ariene Reis, Professora do Núcleo de Estudos e Negócios Sustentáveis da ESPM. “As empresas estão preocupadas com lucro, inovação e desenvolvimento”.
“Empresas voltadas ao consumidor final estão mais preocupadas com as vendas do que com a sustentabilidade”, diz a professora. “No Brasil, é raro o consumidor que se tornar fiel a uma marca porque ela é verde, mas se o preço do produto for o mesmo, esse vira um aspecto decisivo”. “A sustentabilidade está de mão dada com o negócio, como toda área ela precisa dar retorno”, diz Ariane.

sábado, 8 de dezembro de 2012

As 12 tendências tecnológicas da educação brasileira até 2017



Estudo divulgado nesta semana pelo Horizon Report Brasil aponta potenciais ferramentas tecnológicas a serem usadas na educação no Brasil nos próximos 5 anos




Laboratórios móveis, redes, inteligências colaborativas, geolocalização, aprendizado baseado em jogos, conteúdo aberto. Achou essa lista futurista demais para ser usado em escala nas escolas do Brasil, públicas e privadas? Talvez ela não seja tão inalcançável assim. O sistema Firjan reuniu um grupo de 30 especialistas para analisar o estado do uso da tecnologia em práticas no país e fez prognósticos sobre quais ferramentas já estarão sendo usadas em escala em um horizonte de até cinco anos.

O estudo “As Perspectivas Tecnológicas para o Ensino Fundamental e Médio Brasileiro de 2012 a 2017: Uma Análise Regional do NMC Report”, divulgado nesta semana, identifica 12 tecnologias emergentes que têm potencial para impactar o ensino, além das dez principais tendências e os dez maiores desafios da educação brasileira.

Entre as 12 tecnologias apresentadas, quatro foram apontadas entre as que devem começar a fazer parte massivamente das salas de aula em menos de um ano: ambientes colaborativos, aprendizagem baseada em jogos e os dispositivos móveis representados por celulares e tablets; outras quatro estavam entre as que devem começar a ter seu uso mais frequente em dois ou três anos: redes, geolocalização, aplicativos móveis e conteúdo aberto; e mais quatro foram podem ser esperadas em um período de quatro ou cinco anos: inteligência coletiva, laboratórios móveis, ambiente pessoal de aprendizagem e aplicações semânticas. (Alguns desses termos podem ainda não estar claros, por isso o Porvir preparou um infográfico explicativo, confira abaixo).

Feito pela primeira vez no Brasil, o estudo insere um capítulo regional ao já tradicional Horizon Report, que anualmente faz previsões sobre o uso da tecnologia no universo educacional. O panorama global permitiu também comparações entre o contexto brasileiro e o internacional. Bruno Gomes, assessor de tecnologias educacionais do Sistema Firjan e participante tanto da pesquisa global quanto da nacional, ressalta alguns pontos em que nós nos distanciamos muito do mundo. “No Brasil, a gente já consegue ver o hardware, as coisas físicas em sala de aula, como o celular e o tablet. Mas falta a internet, então tudo que é feito na nuvem ou depende de uma rede boa e estabilizada vem depois”, diz.

Por isso, enquanto nos países ibero-americanos e na pesquisa global a computação em nuvem é uma realidade esperada em um ano, os especialistas brasileiros nem sequer apostaram nela para um panorama de até cinco anos. “Outra curiosidade é que, conteúdo livre, que já está acontecendo no mundo, ainda não vai acontecer no Brasil neste ano. O brasileiro ainda é apegado à autoria”, acrescenta Gomes.

Apesar das diferenças, alguns pontos são comuns em todas as partes do mundo, principalmente no que diz respeito aos desafios encontrados. “Formação de professores é um problema para o mundo”, ressalta Gomes. No relatório divulgado durante o evento Conecta 2012, que terminou hoje, os especialistas destacam também outra relevante coincidência entre o que esperam ver no Brasil e o que está posto no mundo. “Os 30 membros do conselho deste projeto concordaram com o conselho global em relação à tendência mais importante. Eles perceberam as portas se abrindo nas escolas de educação básica no Brasil para modelos de aprendizado híbrido e colaborativo”, afirmam os autores do relatório.

TECNOLOGIAS DE SALA DE AULA – ESPECIALISTAS INDICAM 12 FERRAMENTAS QUE ESTARÃO NAS ESCOLAS ATÉ 2017

1 ano ou menos – Polarização de dispositivos

Ambientes colaborativos
Espaços online que visam facilitar a colaboração e o trabalho em grupos. Nesse tipo de ambiente, a interação acontece independente de onde os alunos estejam

Aprendizagem baseada em jogos
Interação de jogos nas experiências educacionais; os benefícios têm se comprovado em desenvolvimento cognitivo, colaboração, solução de problemas e pensamento crítico

Celulares
Especialmente quando se fala em smartphones, são o ponto de convergência de muitas tecnologias; permitem acesso a um volume muito grande de informações na palma da mão

Tablets
Como os celulares, têm a facilidade da mobilidade e possibilitam aulas dentro e fora da escola. Dispositivos aumentam o leque de recursos pedagógicos

2 a 3 anos – Uso dos softwares

Redes
Investimento em banda larga para grandes eventos esportivos e o maior número de smartphones facilitam acesso rápido, barato e fácil a todos os tipos de informação

Geolocalização
Ferramentas recentes permitem a determinação da localização exata de objetos físicos, além da combinação com dados sobre outros eventos, objetos ou pessoas

Aplicativos móveis
Nova indústria de desenvolvimento de softwares cria um universo de novas possibilidades educacionais, com compartilhamento de descobertas em tempo real

Conteúdo aberto
Conteúdo disponibilizado gratuitamente, via web, dá acesso não apenas à informação, mas ajuda no desenvolvimento de habilidades de pesquisa, avaliação e interpretação

4 a 5 anos – Apropriação dos softwares

Inteligência coletiva
Conhecimento existente nas sociedades ou em grandes grupos. Como hoje a produção de conhecimento não é mais um monopólio, várias redes são criadas cotidianamente

Laboratórios móveis
A tecnologia facilitou que pesados equipamentos, antes disponíveis apenas em bons laboratórios de ciências pudessem ser inseridos em simples celulares

Ambiente pessoal de aprendizagem
Formado por uma coleção pessoal de ferramentas montadas para apoiar seu próprio aprendizado; lista é organizada de forma independente e é focada em objetivos individuais

Aplicações semânticas
Aplicativos que organizam informações de várias fontes e fazem associações entre elas, apresentando o resultado de forma atraente ao usuário

Fonte: Horizon Report (Brasil 2012)